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Café, Canela & Chocolate

Conversas de uma mãe, que é médica Ginecologista/Obstetra e adora escrever. Com sabor a chocolate.

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27.06.16

Como é que nos tornamos "naqueles pais"


Sofia Serrano

 

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Pela boca morre o peixe. A frase mais verdadeira de sempre no que toca à maternidade. Ou parentalidade.

Quero com isto dizer que quando somos solteiros e não temos filhos, facilmente emitimos opiniões sobre os filhos dos outros e sabemos sempre como educaríamos os nossos.

Criticamos tudo e mais alguma coisa e temos a certeza absoluta que faríamos melhor. Muito melhor, sem sombra de dúvida.
Por exemplo, quando saíamos para jantar e tínhamos o azar de ficar sentados ao lado de um casal com filhos pequenos, que faziam barulho e atiravam com a comida, tínhamos a certeza que os nossos nunca se portariam assim. Nem fariam birras por não quererem comer a sopa e muito menos utilizaríamos como estratagema para os manter quietos o iphone ou o ipad com filmes do ruca.


Não.

Nós educaríamos os nossos filhos e eles seriam civilizados.

E birras em pleno supermercado, com aquele filme de se atirarem para o chão a espernear?

 

Não. Isso nunca nos aconteceria.

 

Pois claro.

 

E de repente, damos por nós em plena refeição num restaurante cheio, com um filho que adora atirar com tudo o que está na mesa para o chão (seja loiça, talheres ou comida) e tenta por tudo sair da cadeira e correr à volta das mesas. Pelo meio vai dando uns gritos à índio e em simultâneo faz o seu ar fofinho-maroto, o que nos permite não sermos expulsos imediatamente. E a irmã, que nunca na vida fez birras (achávamos nós que era mérito nosso), de repente também alinha naquela confusão com o mais pequeno. Lá vamos repetindo regras de boa educação e comportamentos adequados em locais públicos para dois miúdos com menos de 6 anos, mas é, basicamente inútil, porque no meio da excitação da brincadeira, eles, definitivamente, não nos ouvem.


E quando damos por nós, somos "aqueles pais" que antes criticávamos.

E estamos a pô-los em frente ao ipad a ver filmes infantis para conseguirmos sobreviver à refeição.

 

E birras em plena rua com aquele atirar para o chão a espernear?
Pois.

A chantagem com chocolate resulta - ou gelados, levantam-se num instante.

Aquela estratégia "baixa" que tanto criticávamos tem de ser a arma empregue em situação de emergência.

 

Pronto, às tantas somos péssimos pais.

Ou então somos só pais em modo-de-sobrevivência, que é como quem diz, pais imperfeitos a fazer o melhor que sabemos.

 

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